Horário: De terça a domingo. Das 10h00 às 18h00.

Rua do Mosteiro, 59

4700 - 565 Mire de Tibães, Braga

A Cerca

A Cerca

A Cerca

A cerca do Mosteiro de São Martinho de Tibães desenvolve-se na encosta norte do monte de São Gens, ocupando uma área aproximada de 40 ha. Todo este território, enclausurado por 2,7 Km de muro de pedra rebocado, acolhe a igreja, os edifícios conventuais, a Quinta da Ouriçosa, o Passal, matas, terras de pão, hortas, pomares, viveiros, laranjais e pastagens.

Todos estes usos se processam pontuados de ruas, muros, escadas, fontes e tanques, elementos construídos no programa desenvolvido durante os séculos XVII e XVIII pelos monges beneditinos que, mais do que um local de agricultura de rendimento, quiseram construir um local de meditação lazer e experimentação.

Nos séculos XIX e XX, enquanto propriedade particular, a cerca manteve associada à exploração agrícola a função de quinta de recreio.

Quando o universo agrícola se desmoronou a forma de usar o espaço modificou-se e toda a cerca passou a caminhar para o desenvolvimento espontâneo da vegetação o que permitiu o refúgio a muitas espécies da nossa fauna e flora.

Com a compra pelo Estado Português o sentido de recuperação da cerca, iniciada em 1987, revelou-se desde logo intimamente associado à manutenção da exploração agrícola, cenário dos elementos construídos no séc. XVIII e à manutenção dos habitats que permitem a sobrevivência dos seres vivos autóctones que aqui foram permanecendo.

No desenvolvimento das ações de recuperação e na aproximação à comunidade local, constatámos o fim de algumas vivências rurais ancestrais. Tentando perpetuar esta cultura, promovemos as culturas do linho, do lúpulo, do nabal e do batatal; a enforcar vinhas e a regar por regos. Nesta dinâmica, o contacto com as escolas mostrou-nos que podemos falar de património com vida!

Os terrenos xistosos foram transformados em solo agrícola através da estruturação do terreno e da contínua incorporação de estrumes.

Nos escritos dos séculos XVII e XVIII podemos ler os grandes gastos que os monges tiveram ao transformar muita terra dos muros adentro para se poder cultivar; secando pântanos, trazendo águas de dentro e fora da cerca, controlando-as e fazendo-as circular por uma rede de aquedutos e canos de barro e de chumbo. Implementaram o regadio e condicionaram as terras às culturas.

Nos campos de pão os monges semeavam os cereais de inverno como o trigo, a cevada e o centeio. De verão, partilhando o terreno com o feijão, semeavam o tremoço e a fava, o milho-miúdo, o milho painço e o maís – o milho que hoje conhecemos (trazido da América do Sul na época dos descobrimentos). Este dava produções muito maiores e por isso foi substituindo os outros.

Para serviço deste mundo agrícola e silvícola possuía o mosteiro a abegoaria, os palheiros, a adega, o lagar, a casa do azeite, a casa da fruta, a casa do alambique, a capoeira, a coelheira, a casa dos boieiros e as cortes. Fora dos edifícios conventuais, existiam a casa dos cães, as cortes das ovelhas e porcos, a casa do hortelão e a da madeira.

Nas leiras perto dos edifícios do mosteiro, usufruindo da sua proteção às intempéries do norte, servidas de água e rodeados por ramadas, situavam-se as hortas. Aqui o hortelão cultivava os mais variados vegetais, experimentando todas as novidades de sementes mandadas vir, por vezes, de Lisboa. Há referências, entre outros, à couve-galega, couve-flor, cebolas, alhos, melões, melancias, pepinos, espinafres, nabos, feijão, favas, repolho, brócolos e abóbora…

Num manuscrito lê-mos: «Deu-se nova forma a todo o monte de São Bento pois tudo o que dantes eram árvores agrestes se reduziu a pomar e se fizeram os socalcos de pedra e cal, e curiosamente pintados na forma que se veem».

Ficaram assim definidos os pomares onde os monges cultivavam maçãs, peras, damascos, pêssegos e ameixas, grande parte deles implementados nos séculos XVI, XVII e XVIII, quando fizeram viveiros e centenas de enxertos. Além destas árvores de fruto, e em lugares definidos, tinham os laranjais (com laranjas, limões e cidreiras) e os olivais de onde extraíam a azeitona, para alimentação e para azeite.

Hoje cultivamos uma pequena horta e pomar com o sentido mais educativo do que o produtivo de outros tempos.

Voltamos a produzir vinho verde, recuperando a vinha de enforcado (onde as videiras sobem por castanheiros, oliveiras, choupos e cerejeiras plantados nas bordas dos campos) e as ramadas nos caminhos, deixando livres os campos para a produção agrícola.

Fruir a cerca é hoje um desafio à sensibilidade e ao conhecimento!

Construções

Mosteiro de Tibães, Braga

Biodiversidade

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Património Hidrogeológico e Geomineiro

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