Horário: De terça a domingo. Das 10h00 às 18h00.

Rua do Mosteiro, 59

4700 - 565 Mire de Tibães, Braga

Construções

Construções

Fontes de São Bento e de São Beda

Mosteiro de Tibães, Braga

Os beneditinos utilizavam a cerca como local de oração e recreação. Atesta-o o cronista quando diz: “abriu-se uma rua em direitura à Porta do Anjo guarnecida pelos lados de úteis castanheiros e árvores de recreio”. Conhecedores do que de mais moderno se fazia, os monges, em 1725, iniciam a implantação de um programa de linguagem barroca e começam-no com a criação de um caminho que separava as hortas dos pomares, pontuado com as fontes de São Bento e São Beda. Concluem-no dez anos mais tarde com a construção da rua das fontes ou escadório. Em 1728 modificam a fonte do pátio do galo e com o artefacto que ali estava formam a fonte de São Bento, enquadrada por um pátio e assentos de pedra lavrada e adiante “um formoso tanque ou viveiro guarnecido com quatro figuras todas bem-feitas e pintadas”. Também nessa altura reforçam o caudal de água para alimentar com abundância a fonte de São Bento, a fonte de São Pedro, a da Cozinha, os esguichos do Refeitório e o tanque que está no terreiro das estrebarias.

A fonte de São Bento foi restaurada no início deste século. Como o nicho perdera a imagem de São Bento que lhe dava o sentido, desafiámos o escultor bracarense Alberto Vieira a colmatar a ausência. Agora o Santo reocupou o seu lugar.

A fonte do Venerável São Beda foi construída em 1728 com duas pirâmides por remate, tudo pintado e oleado.

Foi mudada em 1731 para nascente, para no lugar dela ser colocado o chafariz de chuveiros que remata o escadório. A fonte foi vendida em 1967 a um colecionador bracarense, podendo ser atualmente apreciada nos jardins do Museu Nogueira da Silva, no centro de Braga.

No local permanecem ainda as escadas de pedra que dão acesso ao pátio, agora vazio, mas com esperança de poder um dia poder sentir e ouvir o som vivo da água.

Escadório

Mosteiro de Tibães, Braga

O escadório foi concluído no triénio de 1731-34.

Logo à entrada deparamo-nos com bancos de pedra lavrada que nos convidam a sentar e a escutar o som da água e dos pássaros.

«O caminho em direção ao céu» começa com um chafariz, seguido por sete fontes, que representam as sete virtudes: quatro Cardeais – Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança; e três Teologais – Fé, Esperança e Caridade.

Os muros do escadório eram caiados e as fontes pintadas e douradas. Por cima de cada uma das fontes existiu uma pequena imagem em terracota com a representação da virtude correspondente.

No topo do escadório encontramos um tanque com o brasão da Congregação Beneditina dos Reinos de Portugal. A água que chega a este tanque provém da mina da Cabrita, situada no exterior do mosteiro. A partir deste tanque sai a água que alimenta as fontes e o chafariz do escadório.

Capela de São Bento

Mosteiro de Tibães, Braga

A primitiva capela foi mandada construir entre 1553/1565 por Frei Bernardo da Cruz. Foi reconstruída (e decorada com retábulo, imagens, azulejo e pinturas) pelo Abade Frei Paulo da Assunção (1725-1727), sendo nessa altura modificada toda a sua zona envolvente. Foi feito o jardim com chafariz no centro, canteiros de murta e o tanque com o brasão da Congregação.

À capela ainda vinham, no século passado, romeiros cumprir promessas a São Bento. Marcada pelo tempo e sem retábulo, conserva o cabido, a porta, os azulejos joaninos e os vários vestígios de pintura no teto, nas cantarias e grades de ferro. O jardim foi ocupado pelas azáleas, cameleiras e rododendros, vestígios do jardim romântico do uso privado.

Lago

Mosteiro de Tibães, Braga

O lago foi construído no triénio de 1795-1798 e originalmente era enquadrado por socalcos agrícolas.

A sua forma elíptica remete-nos ao barroco final.

Alimentado pela água que vem das minas, este potencial energético fazia funcionar, além do engenho de serrar madeira, dois moinhos e um engenho de azeite.

Para além disso, era (e ainda é) um importante reservatório de água para rega e um espaço de silêncio e meditação.

Existem referências à: execução de uma figura de Neptuno para a cascata; colocação dos pináculos e de cinco assentos de pedra bem lavrada que lhe servem de ornato.

Do tempo dos monges chegou também até nós um magnífico pinheiro-bravo que, juntamente com os dois cedros-dos-Himalaias (plantados nos inícios do século XX), estão classificados como árvores notáveis de Portugal desde 2010.

Casa do volfrâmio

Mosteiro de Tibães, Braga

O nome desta casa vem da sua última utilização na altura da segunda guerra mundial. A exploração do volfrâmio foi uma atividade que ajudou a viver muitos homens e mulheres da freguesia de Mire de Tibães. Era aqui que era lavado, pesado e preparado para ser enviado para a indústria transformadora. Este minério era explorado em vários locais do monte de S. Gens.

Dentro da cerca foi aproveitada a mina de água das aveleiras, que alimenta o lago. Nela podemos ainda ver as galerias da exploração.

Este local de lavagem foi escolhido porque para aqui tinham sido conduzidas as águas do lago, por um grande aqueduto, feito de pedra, em finais século XVIII.

Os monges acharam necessário por a funcionar um engenho de serrar madeira de modo a «obviar as grandes despesas que se faziam nas serragens das madeiras necessárias para a conservação e fábrica do mosteiro».

Pensamos ter sido aqui a casa do hortelão durante os séculos XVII e XVIII. Descrita pelos monges, a casa era coberta de madeira e telha; toda caiada por dentro e por fora e solhada, com uma varanda para as sementes.

Hoje, a casa do volfrâmio, é o local de apoio às atividades e visitantes do mosteiro.